Quase toda empresa tem quem cuide do contencioso do dia a dia — cobrança, despejo, dano moral, acidente, renovatória. E quase toda empresa, uma ou duas vezes por década, tem um caso de outra natureza: o que o dono acompanha pessoalmente, que altera o resultado do exercício e que não cabe na estrutura montada para volume. É desse caso que tratamos.
Você está nessa situação se…
- um litígio, em curso ou prestes a começar, preocupa você como dono ou executivo da empresa;
- uma disputa relevante já aparece como provisão no balanço;
- o conflito envolve sócios, um contrato estratégico ou o poder público;
- o resultado do processo muda o plano de negócios, não só o caixa.
O problema real
Contencioso é multifacetado, e a maior parte dele é bem atendida por quem já atende. Massa, baixa complexidade, rotina: existe estrutura para isso, e ela funciona.
O problema aparece quando chega o caso que não é rotina. Ele envolve valores que mudam a DRE, frequentemente atravessa mais de uma área do direito ao mesmo tempo, e quem decide na empresa não se sente confortável em entregá-lo à estrutura montada para o dia a dia — não por desconfiança, mas porque a natureza do trabalho é outra. Profundidade técnica, capacidade de mergulho e acompanhamento pressionante não são versões mais caras do mesmo serviço: são outra atividade.
E há uma diferença de postura que separa o contencioso estratégico do resto, e que raramente se explicita: não basta trabalhar no tempo do judiciário — é preciso fazer o caso correr. O tempo não depende só de nós, mas a nossa parte depende. Quem trata o processo como algo que acontece está entregando ao adversário a única vantagem que ele talvez não tivesse.
As decisões críticas
- Com que probabilidade você está lidando, de verdade. Antes de recomendar acordo ou disputa, é possível levantar como os órgãos que efetivamente vão julgar — aquela câmara, aquela turma, aquele juízo — vêm decidindo as questões jurídicas do seu caso. Jurimetria não substitui tese: ela informa a decisão de negócio que vem antes da tese — quanto vale o acordo que está na mesa, qual argumento lidera, e se vale mesmo ir até o fim.
- Onde se cria pressão. Notificar é fácil; notificar no ponto onde a coisa efetivamente acontece é o trabalho. Frequentemente o ponto de pressão não está na contraparte direta: está em quem depende dela, em quem assumiu obrigação contratual perante ela, em quem tem interesse em que o problema desapareça rápido.
- Qual medida antecipa em vez de discutir. Boa parte do que se discute por anos poderia ter sido demonstrado no início, se a informação certa tivesse sido buscada onde ela estava. A escolha entre discutir e demonstrar é feita nas primeiras semanas.
- Se a frente é só uma. Alguns casos se resolvem numa jurisdição; outros exigem frentes paralelas — cível, criminal, arbitral, extrajudicial — desenhadas para se sustentar mutuamente. Abrir frente sem coordenação dispersa; deixar de abrir a frente certa prolonga.
- Qual é o objetivo real. Ganhar a ação e resolver o problema nem sempre são a mesma coisa. Em disputa societária, em conflito entre parceiros e em controvérsia sobre contrato relevante, o desfecho útil costuma ser um acordo em condições que só existem depois de a posição ter sido construída.
- Quantas áreas o caso realmente envolve. Litígio estratégico raramente é de uma matéria só. Uma disputa de haveres é societária, contábil e tributária. Um conflito entre terrenista e incorporador é imobiliário, societário e contratual. Tratar como caso de uma área é perder o que está nas outras.
O trade-off que decide o caso
Toda medida de pressão custa algo: expõe estratégia, consome capital de relacionamento, às vezes fecha a porta do acordo que se queria. Medida agressiva no caso errado transforma uma negociação difícil numa guerra cara.
O erro oposto é mais comum e mais silencioso: a postura passiva, que não custa nada visível e entrega tempo — que é exatamente o ativo do adversário quando ele é quem está confortável com o status quo.
A decisão não é entre ser agressivo e ser conservador. É identificar qual é a única alavanca que muda a posição relativa das partes — e usá-la cedo, antes de o caso se acomodar no ritmo de quem se beneficia da demora.
Três perguntas que dizem se o caso está bem conduzido
- Alguém já levantou como o órgão que vai julgar o seu caso vem decidindo essa questão — ou você está trabalhando com opinião?
- O que está sendo discutido há meses poderia ter sido demonstrado com uma medida no início?
- Quem conduz o seu caso tem, na mesma mesa, as outras áreas do direito que ele envolve?
Como conduzimos
- Leitura estratégica antes da peça. Onde está o valor, onde está a vulnerabilidade da contraparte, qual desfecho serve ao negócio — e só então qual é a via.
- Jurimetria aplicada ao caso. Levantamento de como os órgãos julgadores diretamente envolvidos vêm analisando as questões jurídicas em disputa. Entramos sabendo com que cenário estamos lidando, não supondo.
- Construção da tese. Argumentar direito, não só pedir direito. Texto argumentativo é competência específica, e é o que decide caso difícil.
- Medidas que injetam pressão. Escolhidas pelo efeito, não pelo hábito — inclusive as que atuam fora da relação processual direta, quando é ali que a alavanca existe.
- Frentes coordenadas. Cível, criminal, arbitral e extrajudicial quando o caso pede, desenhadas para operar juntas.
- Acompanhamento ostensivo. Contato ativo com cartório, memoriais, despacho presencial, sustentação oral. Processo acompanhado anda diferente de processo protocolado.
- Multidisciplinaridade real. As verticais do escritório na mesma mesa, porque o caso estratégico quase nunca é de uma matéria só.
O que costuma dar errado
Tratar o caso grande com a estrutura do caso pequeno. A estrutura de volume é excelente no que faz. Ela não foi desenhada para mergulho técnico nem para acompanhamento próximo, e o descompasso aparece tarde.
Esperar o processo andar. O tempo favorece quem está confortável. Se esse não é você, tempo é perda.
Notificar por notificar. Notificação sem alavanca é aviso ao adversário de que você vai reagir — e tempo para ele se preparar.
Isolar o caso numa área. O que decide a disputa está frequentemente na matéria que ninguém olhou.
Perguntas que sempre chegam
Meu escritório já cuida dos meus processos. Por que trocar?
Não é trocar. É reconhecer que um caso específico tem natureza diferente do restante da carteira — e que ele pode ser conduzido em paralelo, sem que ninguém perca espaço.
Qual o tipo de caso que vocês pegam?
Conflitos societários e apuração de haveres; controvérsias sobre contratos relevantes; disputas entre terrenistas e incorporadores; autuações fiscais de porte; litígios decorrentes de operações de M&A e de grandes aquisições imobiliárias; recuperação de créditos e de valores investidos; defesa em execuções relevantes.
Vocês atuam em arbitragem?
Sim, e também no pré-litígio — que é onde vários desses casos deveriam terminar.
Vocês trabalham junto com o jurídico interno ou com o escritório da casa?
Com frequência. A entrada costuma ser por um caso, e a convivência com quem já atende é parte do trabalho.
Quem conduz
Vicente SuzukiSócio · Imobiliário, Societário e M&A, Contratos e Contencioso Estratégico
Noroara MoreiraSócia · Tributário, Urbanístico, Contencioso Estratégico, Planejamento Patrimonial e SucessórioDescreva a sua situação
Em poucas linhas. Retornamos pelo canal que você indicar.
Reconheceu o caso?
Se existe um processo que você acompanha pessoalmente e que muda o seu resultado, ele merece uma leitura estratégica antes da próxima peça.
Descreva a disputa em três linhas.